O tempo entre um cliente e outro
Arrumar, anotar, lavar a mão e respirar não cabe em zero minuto — e é isso que a agenda costuma reservar
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Entre o cliente sair e o próximo entrar, existe um trabalho inteiro que ninguém cadastra.
Arrumar o espaço. Trocar o que precisa ser trocado. Lavar as mãos. Anotar o que aconteceu. Guardar o que usou. Separar o material do próximo. Responder à mensagem que chegou no meio. Beber água. Ir ao banheiro.
Some isso: dá entre cinco e quinze minutos, dependendo do serviço. E a agenda, quando ninguém diz nada, reserva zero.
O atraso que nasce do nada
Se você tem oito atendimentos colados e cada virada consome oito minutos que não existem na agenda, você termina o dia com mais de uma hora de atraso — sem ter feito nada errado, sem ter conversado demais, sem nenhum cliente complicado.
É por isso que tanta gente se sente lenta sem ser. A conta é que está errada, e a solução não é correr mais.
Duas formas de resolver
Embutir na duração do serviço. O corte passa a ser 45 minutos: 35 de trabalho e 10 de virada. Simples, funciona, e tem um efeito colateral — o cliente vê "45 minutos" e acha que vai ficar 45 minutos com você. Quando sai em 35, pode ficar com a impressão de atendimento apressado.
Configurar um espaço entre atendimentos. A agenda reserva automaticamente os minutos entre um horário e o seguinte. Mais limpo: o cliente vê a duração real do que compra e você mantém seu respiro. É a opção melhor quando o sistema permite, e é a que mantém honesta a duração de que fala quanto tempo dura de verdade o seu atendimento.
"Mas eu perco vagas assim"
É o argumento de sempre, e ele merece uma conta.
Digamos dez minutos entre atendimentos, oito atendimentos por dia: oitenta minutos reservados. Em tese, uma vaga e meia perdida.
Agora o outro lado. Sem esse espaço, você atrasa progressivamente. Os últimos clientes esperam. Alguns reclamam, outros não voltam, e um deles conta para alguém. Você atende sem preparo, esquece detalhes, precisa refazer coisa. E termina o dia com uma hora a mais de trabalho não faturado.
A vaga e meia é visível; o custo do atraso não é. Por isso o primeiro parece caro e o segundo parece de graça — mas é o segundo que sai mais caro.
O tempo de virada varia
Nem todo atendimento consome a mesma virada. Vale separar:
- Serviço rápido e limpo: cinco minutos bastam.
- Serviço que suja, molha ou exige troca: dez a quinze.
- Primeiro atendimento de um cliente novo: mais ainda, porque tem cadastro e anotação. Está em primeira consulta e retorno na mesma agenda.
- Atendimento em outro endereço: aqui a virada é deslocamento, e muda tudo — veja atender em mais de um endereço.
Meça uma vez, do jeito certo
Por três dias, cronometre o intervalo entre "o cliente saiu" e "eu estou pronto para o próximo". Sem arredondar para baixo, sem escolher os dias bons.
Pegue o maior valor que se repete e use esse. Se as viradas foram de 6, 9, 7, 14 e 8 minutos, use dez. O 14 foi exceção; o 6 foi sorte.
O bônus que ninguém calcula
Dez minutos entre atendimentos fazem uma coisa que não aparece em planilha nenhuma: dão ao seu dia uma capacidade de absorver imprevisto.
O cliente que chega cinco minutos atrasado deixa de estragar o dia. A conversa que se estende dois minutos deixa de empurrar todo mundo. A ligação urgente cabe.
Com a agenda colada, qualquer coisa fora do script vira crise. Com o respiro, ela vira só uma coisa a mais que aconteceu.
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