Quanto vale a sua hora, na conta real
O número que decide se vale a pena fazer você mesmo, contratar alguém ou automatizar
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Você passou duas horas de sábado montando uma planilha de controle. No fim, ficou satisfeito: economizou o custo de uma ferramenta.
Só que aquelas duas horas tinham preço. E se você soubesse qual, talvez tivesse decidido diferente.
Sem esse número, toda decisão sobre delegar, automatizar ou fazer você mesmo é palpite.
A conta, em três passos
Passo 1: quanto entra por mês
Receita bruta do último mês. Ou a média dos últimos três, se variam muito.
Digamos R$ 18.000.
Passo 2: quantas horas você realmente trabalha
Não a jornada oficial. Tudo: atendimento, mensagem à noite, planilha de sábado, deslocamento para comprar material, pensar em problema no domingo.
Anote por uma semana de verdade — o número costuma ser 20% maior do que a estimativa de cabeça.
Digamos 50 horas por semana, 4,3 semanas: 215 horas por mês.
Passo 3: divida
R$ 18.000 ÷ 215 = R$ 84 por hora.
Esse é o seu número bruto. Ele ainda não desconta despesa, mas serve para o que interessa: comparar.
O segundo número, que é mais útil
O primeiro número é a média. O que decide mesmo é o valor da hora atendendo.
Se um atendimento de 50 minutos rende R$ 130, a sua hora de atendimento vale cerca de R$ 156.
Guarde os dois:
- Hora média: R$ 84. O que o seu tempo vale hoje, do jeito que ele está distribuído.
- Hora atendendo: R$ 156. O que o seu tempo vale quando está sendo bem usado.
A diferença entre os dois é o preço de tudo o que você faz e não é atender.
O que fazer com o número
Decisão 1: contratar ajuda
Uma pessoa que custa R$ 25 por hora fazendo tarefas que hoje são suas.
Se ela liberar seis horas por semana e você preencher metade delas com atendimento (três horas a R$ 156 = R$ 468), contra um custo de R$ 150, a conta fecha com folga.
O detalhe que quase sempre é esquecido: só fecha se você preencher as horas liberadas. Delegar e usar o tempo livre para fazer outra tarefa administrativa não gera nada. Por isso a ordem importa, e está em delegar: o que sai da sua mão primeiro.
Decisão 2: automatizar
Uma automação de lembrete leva uma hora para configurar — custo de R$ 84.
Ela economiza dez minutos por dia de confirmação manual: 3,6 horas por mês, R$ 300. Paga-se na primeira semana, e depois disso é lucro todo mês.
E isso sem contar a queda das faltas, que costuma ser o ganho maior. A ordem do que ligar primeiro está em o que automatizar primeiro.
Decisão 3: fazer ou pagar para fazer
A planilha de sábado: duas horas, R$ 168 do seu tempo. Vale a pena se a alternativa custar mais que isso. Quase nunca custa.
Decisão 4: o deslocamento
Duas horas por semana buscando material que pode ser entregue por uma taxa de R$ 30. A conta é R$ 168 contra R$ 30, e ela não é nem perto.
O erro de olhar só o custo
"Não vou pagar isso, faço eu mesmo" só é verdade se a sua hora valesse zero. Ela não vale.
E tem um custo que a conta nem captura: a hora do sábado não só custa R$ 84 de tempo. Ela custa o descanso que faria o seu sexto atendimento de terça ser melhor.
Revise a cada seis meses
O número muda quando o preço muda, quando o volume muda, ou quando você tira horas de trabalho não-remunerado da sua semana.
Aliás, esse é o sinal de que está dando certo: a hora média subindo em direção à hora atendendo. Significa que o tempo que era gasto em volta do trabalho está virando trabalho.
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